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Arquivo da categoria: CONTOS

Histórias, casos e textos sobre magia, esoterismo que vão além de nossas compreenção, sejam reais ou não

Deusa Deméter e a origem da Primavera

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Feliz Encontro…
Entrando a nova estação, lembro-me do que para mim é o mais belo mito que explica o evento da primavera, o mito grego de Deméter e Perséfone.

Nos primórdios, Gaia, a Deusa Terra gerou Urano e este casou com a própria mãe com quem teve vários filhos. O problema é que Urano odiava os filhos e este ódio gerou uma revolta que fez com que Cronos, o Deus do Tempo, o filho mais novo de Urano, cortasse os testículos do pai para que este não mais fecundasse Gaia (da espuma de semen do testículo de Urano caida no mar que nasceu Afrodite, a deusa do amor).

Urano então lançou uma espécie de praga dizendo que Cronos sofreria o mesmo que Urano sofreu. E não deu outra, por conta da mania de Cronos comer todos os filhos que nasciam de sua relação com Réia, esta resolveu parir em segredo e assim nasceu Zeus, que mais tarde viria a fazer o pai Cronos tomar uma bebida que o faria vomitar todos os filhos já devorados, incluindo aí Hades e Poseidon. Estes dois, juntos com Zeus, após a luta contra o pai Cronos, viriam a dividir o
mundo, ficando Poseidon (mais conhecido como Netuno romano) com o mar e a terra, Hades com os subterrâneos e Zeus com os céus e ocupando o Olimpo, lugar de onde Zeus e seus irmãos lutaram contra Cronos.

Além destes tres irmãos, outros filhos de Cronos tornaram-se deuses importantes, como Deméter, a deusa mãe, a deusa da fertilidade. Era ela responsável pela fertilidade da terra e consequentemente, a alimentação da humanidade. Deméter teve uma filha com Zeus, Core, que certo dia, passeando pelos prados, chamou a atenção de Hades, seu tio e que encantado com a jovem, resolveu raptá-la para fazer dela sua esposa. Helio, o deus sol que tudo vê, percebe e vai até Deméter contar o que ocorreu.Deméter vai falar com Zeus, irmão de Hades e pai de Core sobre o ocorrido e este faz que não é com ele, daí que
Deméter entristecida, simplesmente abandona seu destino de semear e fertilizar a terra para vagar pelo mundo tal qual uma mendiga. Sem o poder de Deméter, a terra fica estéril, o solo não dá mais frutos e Zeus se desespera pois, e somente os gregos para terem esta interpretação no próprio mito, se a terra tornar-se eternamente estéril, os humanos morreriam e morrendo os humanos, morreriam os deuses.

Daí que Zeus vai até Hades, negociar a liberdade de Core mas esta, já havia comido as sementes de romã oferecidas por Hades, sementes estas que tinham o poder de fazer Core se apaixonar por Hades e tornar-se Perséfone, que reinaria com o esposo Hades nos substerrâneos. Sem saída, Zeus tenta e acaba conseguindo um acordo com Hades, durante um
período no ano, Perséfone voltaria a superfície para ficar ao lado da mãe e no outro, desceria para ficar ao lado de Hades.
Aceito o acordo, nasceu a primavera, que é exatamente o período em que Perséfone volta do reino dos subterrâneos para ficar ao lado da mãe e a deusa Deméter, enche o mundo de flores para celebrar sua felicidade. E assim segue o verão até o outono, quando após os frutos, o inverno chega e que é o período que Perséfone desce ao mundo subterrâneo para ficar ao lado do marido Hades.Um belo mito cheio de significados e passível de várias interpretações com análise arquetípica de cada um dos deuses envolvidos. Para mim sem dúvida, um dos mais belos mitos gregos.

Paz, Luz e bela Primavera.

Para os neopagãos, um belo período de Ostara.

Por Wagner Sinclair

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A lenda do automóvel antigo

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Lá estava ele, em toda a sua glória. Um Chevrolet conversível, 56, tipo Belair, marrom e beije, em perfeito estado de conservação.

Pela vigésima vez ele tentou a compra daquele carro, apesar da habitual recusa do atual dono, seu conhecido de tantos anos. O carro tinha pertencido a Christof Becker, um colecionador que havia voltado para a Alemanha o ano anterior, e nunca mais dera noticias. Desde então, apesar de insistentes propostas, o dono daquela oficina especializada, não estava disposto a vender o carro, pelo preço que fosse.

A oferta já estava em torno de 30.000 dólares e mesmo assim, continuava aquela indecisão que parecia nunca acabar. Finalmente chegaram a um denominador comum; ele ficaria com o carro por uma semana e deixaria o seu em troca como parte do pagamento, depois desse prazo acertaria o restante. Ele nem acreditou quando se viu de posse das chaves.Testou os freios, o câmbio; perfeito. O estofamento, impecável, como se tivesse saído da fábrica. Foi dirigindo até em casa, pensando na responsabilidade que era ter um carro daqueles nas mãos.Estacionou dentro da garagem com o maior cuidado, saiu, deu mais uma olhada pra ele e se certificou que tinha feito um ótimo negócio.

Entrou pela sala adentro com muita fome e cansaço, causados provavelmente pela ansiedade dos últimos acontecimentos. Olhou a sua volta e observou mais uma vez os seus móveis antigos, o papel de parede já amarelado pelo tempo e alguns objetos que havia adquirido aqui e ali. Sempre e em todo canto, se revelavam toques de um passado que ele nunca conheceu. Ou teria conhecido? Talvez ele próprio fosse um romântico incurável, pensou, apesar de ser um eterno solitário. Quem sabe fosse amor, o que sentira por cada mulher que havia passado em sua vida. O fato, é que nunca tinha se deixado prender mais do que alguns poucos meses e de repente, a paixão se evaporava como um perfume num frasco aberto, e lá ia ele de novo, em busca de alguma coisa especial que nunca aparecia.

Depois do jantar, escolheu um livro e se recostou na sua poltrona preferida. As frases começaram a dançar, diante dos seus olhos pesados demais para continuar a leitura. Resolveu se deitar. As imagens misturavam-se aos fatos, passados, presentes, vividos ou não, rostos sem fim, e no meio de tudo isso; o Belair, 56.

Ele podia sentir o ar puro das montanhas, o vento frio arrepiando sua pele e por trás das montanhas, o sol se pondo em seu vermelho amarelado, caindo, caindo, compondo um cenário luminoso onde se destacava, o automóvel debaixo da sombra de duas arvores. Ele abriu a porta, entrou, deu a partida e se contagiou de plenitude, pelas alamedas cheias de flores. Havia uma curva, no final daquela estrada. Olhou com atenção e viu mais alguma coisa; uma mulher. Seus cabelos dourados lhe caíam pelos ombros envoltos, levemente pelo vento e seu vestido de um azul pálido, que mais tarde reparou, combinavam com seus olhos. Num impulso, ele parou o carro

– Pensei que você não viesse mais, disse ela sorrindo, mas valeu a pena esperar.

– Olha, respondeu ele maravilhado e confuso, eu sinto muito desapontar você, mas infelizmente, não acredito que a gente tenha se visto antes.

Ela imediatamente abriu a porta do carro, se acomodou no banco do lado e ensaiou chorar.

– Mas você prometeu que não iria esquecer do que combinamos… Você prometeu…

– O que foi que combinamos? O que foi que eu prometi?

Ela olhou pra ele num misto de emoção e surpresa e foi aí que ele se deixou invadir.

– Vamos fazer um acordo? Vamos começar tudo de novo? Você me diz o seu nome, eu digo o meu, e…

– E por que precisamos de nomes?

– Como você quiser, respondeu tentando colocar o carro em movimento. Não conseguiu. Tentou de novo e nada. Quando insistiu pela terceira vez, tudo o que conseguiu, foi despertar de repente, com o rosto da desconhecida ainda vivo em sua mente. Olhou para o rádio relógio e viu que passava das sete. Será que tinha sonhado com isso a noite toda? .

Depois do banho e café, saiu apressado e quando desceu até a garagem, não acreditou. O carro não estava lá. Impossível, concluiu. O muro que ladeava o portão era muito alto, o portão estava trancado e a porta que dava para a garagem também. Não sabia o que pensar. Saiu até a rua. Ele estava lá. Em frente a sua casa. Mas como? Lembrava perfeitamente de ter deixado seu carro dentro da garagem. Ou será que não? Não queria pensar mais nisso. Passou o dia esquecido do sonho, do susto, só não conseguindo esquecer o rosto daquela desconhecida.

Quase anoitecia quando ele voltou para casa. Olhou para o carro dentro da garagem, só para se convencer de que ele estava lá, mesmo. Trancou o portão com cuidado e entrou em casa. Quase não jantou, inquieto que estava e sem sono. De vez em quando, ia até a garagem para ver se o carro continuava lá. Estava, voltava, tentava dormir, inútil. O rosto daquela mulher continuava nítido em sua lembrança. Procurou relaxar.

De repente, uma musica vinda de longe, chamou sua atenção. De onde vinha? Abriu as janelas, vagou pela casa, foi até a garagem e o som ficou mais forte. O rádio do carro. Não se lembrava de ter deixado ligado. Abriu a porta e ia desligar, quando viu alguém no portão. Era ela. No mesmo vestido azul, com um lenço de seda branco envolvendo os seus ombros. Não pensou duas vezes, abriu o portão e se abraçaram num gesto de saudade. Dessa vez foi ele quem falou;

– Pensei que não viesse mais.

Ela sorriu e eles se beijaram demoradamente.

– Não sei quem é você, disse ele. E também não me importo mais com isso. Só sei que preciso de você apesar de nem mesmo saber se isso tudo é real ou mera fantasia.

– Mas as fantasias podem ser reais, se você quiser que sejam, respondeu ela. Qual a diferença entre o sonho e a realidade, quando você vive intensamente os dois? O sonho é a própria vida, talvez bem mais real do que a realidade, quando é profundamente vivido.

– Mas os sonhos terminam.

– E a realidade? Por acaso é eterna?

Ele só se lembrou de leva-la pra casa, como a loucura mais real que já tivesse vivido. Não era o momento para questionar, já que a razão sempre tinha sido inimiga dos sentimentos.

– Preciso ir embora, disse ela. O dia está amanhecendo.

– Eu não vou mais deixar você ir, respondeu ele entre um gole e outro de champagne.

– Então, venha comigo, sorriu ela, me leva!

Ele pegou a garrafa de champagne na mão, as taças na outra e a seguiu até a garagem. Entraram no Belair.

– Mas pra onde eu devo levar você?

– Você deve saber, sorriu ela.

– Eu só quero ficar com você, não importa aonde.

Ela sorriu de novo e o abraçou ternamente, profundamente, e a última coisa que ele ouviu, foi a taça de cristal espatifando-se no chão…

Algumas horas depois, ele foi encontrado, dentro do automóvel, sem vida, com um sorriso nos lábios. No chão, acharam vestígios de champagne, duas taças de cristal quebradas e no banco traseiro jogado, um lenço de seda branco.

Um mês depois, na mesma oficina, havia um anuncio de venda a quem interessar fosse:

“ Chevrolet Belair, conversível, ano 56, em perfeito estado de conservação, raridade.”

Conto enviado pela compositora Isolda

http://www.isolda.mus.br

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